|
Seus Dotôres Deputado falo sem tutubiá pra mostrá que nós matuto sabe se pronunciá dizê que ta um presídio com dó e matuticídio a vida nesse lugá
O Brasí surgiu de nós nós tudo que vem da massa deram um nó no mêi de nós que nós desse nó não passa e de quatro em quatro ano vem vocês com o veio plano desata o nó e se abraça
Tamo chêi dessa bostice de promessa e eleição dos que vem de vez em quanto se rindo, estendeno a mão candidato a caloteiro aprendiz de trapaceiro corruto, falso e ladrão.
A coisa ta enveigada ta ruim de devenveigá meu sistema neuvosíssimo vejo a hora se estorá se estóra eu não engano cuma diz o americano na matança eu tem norrá.
Quero que vocês refrita o falá da minha fala pelo cano do revóve magine o tamãe da bala.
Vocês que véve arrimado nas bengala do podê dou um chuto na bengala mode alejado corrê dou dedo, faço munganga canto Ouvira do Ypiranga e mando tudo se fudê.
Acunho logo a tramela nas porta da corrução toco fogo na lixeira e passo de mão em mão corto língua de quem mente quebro três ou quatro dente dos Deputado risão.
Político que come uva em plena safra de manga vai pra lei dos desperdiço nas faca dos meus capanga.
Se eu der um tiro no mato e bater num marinheiro é porque tem mais honesto do que cabra trambiqueiro diante dessa nutiça não haverá injustiça é a lei dos cangaceiro.
Os deputado bom de pêia eu tiro o "W" do nome tiro vírgula dos discurso reticença e pisilone sapeco lei pra matuto meto bala nesses puto e um viva no microfone.
Matuto que tem saúde pro trabaio ele é capaz nós se vira, arruma água as sementes e o preço em paz não vai sê protecionismo é a lei do Nordestinismo dos Problemas Matutais.
Debuiado este discurso pros Dotôre e Deputado ta dizido minha meta pra cem bilhão de roçado depois não venham dizê que foi golpe de pudê proque não foram avisado
Partido dos Cangaceiro o PC dos natura pela lei da ignorança do Congresso Federá assinado Capitão Virgulino Lampião Deputado Federá.
Virgulino deputado federá / Jessier Quirino
Escrito por Gianote Araujo às 13h31
[]
Um cabra de Lampião por nome Pilão Deitado que morreu numa trincheira um certo tempo passado agora pelo sertão anda correndo visão fazendo malassombrado.
E foi quem trouxe a notício que viu Lampião chegar o inferno nesse dia faltou pouco pra virar incendiou-se o mercado morreu tanto cão queimado que faz pena até contar
Morreram a mãe Conguinha o pai Forrobodó cem netos de Parafuso um cão chamado Cotó escapuliu Boca Ensoça e uma moleca moça quase queimava o totó
Morreram cem negros velhos que não trabalhavam mais um cão chamado Traz Cá Vira-Volta e Capataz Tromba Suja e Bigodeira um cão chamado Goteira cunhado de satanás.
Vamos tratar na chegada quando Lampião bateu um moleque ainda moço no portão apareceu:
Quem é você, cavalheiro?
Moleque, eu sou cangaceiro: Lampião lhe respondeu. - Moleque, não; sou vigia e não sou seu parceiro e você aqui não entra sem dizer quem é o primeiro: - Moleque, abra o portão saiba que sou Lampião assombro do mundo inteiro.
Então esse tal vigia que trabalha no portão dá pisa que voa cinza não procura distinção o negro, escreveu não leu o macaiba comeu ali não se usa perdão.
O vigia disse assim: fique fora que eu entro vou conversar com o chefe no gabinete do centro por certo ele não lhe quer mas conforme o que disser eu levo o senhor pra dentro.
Lampião disse: vá logo quem conversa perde hora vá depressa e volte já eu quero pouca demora se não me derem ingresso eu viro tudo asavesso toco fogo e vou embora.
O vigia foi e disse e satanás no salão: saiba a vossa senhoria que aí chegou Lampião dizendo que quer entrar e eu vim lhe perguntar se dou-lhe ingresso ou não.
- Não senhor, satanás disse vá dizer que vá embora só me chega gente ruim eu ando muito caipora! eu já estou com vontade de botar mais da metade dos que tem aqui pra fora.
- Lampião é um bandido ladrão da honestidade só vem desmoralizar a nossa propriedade e eu não vou procurar sarna pra me coçar sem haver necessidade.
Disse o vigia: patrão a coisa vai arruinar eu sei que ele se dana qunado não puder entrar satanás disse: isso é nada convide aí a negrada e leve os que precisar
- Leve cem dúzias de negros entre homem e mulher vá lá na loja de ferragem tire as armas que quiser é bom avisar também pra vir os negros que tem mais compadre de Lucifer
E reuniu-se a negrada primeiro chegou Fuchico com o bacamarte velho gritando por Cão de Bico que trouxesse o Pau de Prensa e fosse chamar Tangença em casa de Maçarico.
E depois chegou Cambota endireitando o boné Formigueiro e Trupe-Zupe e o crioulo Quelé chegou Caé e Pacáia Rabisca e Cordão de Saia e foram chamar Bazé.
Veio uma diaba moça com a calçola de meia puxou a vara da cerca dizendo: a coisa está feia hoje o negócio se dana! E gritou: êta baiana agora a ripa vadeia!
E saiu a tropa armada em direção do terreiro com faca, pistola e facão cravinote e granadeiro uma negra também vinha com a trempe da cozinha e o pau de bater tempero.
Quando Lampião deu fé da tropa negra encostada disse: só na Abissínia oh! tropa preta danada! o chefe do batalhão gritou de arma na mão; - Toca-lhe fogo, negrada!
Nessa voz ouviu-se tiros que só pipoca no caco Lampião pulava tanto que parecia um macaco tinha um negro neste meio que durante o tiroteio brigou tomando tabaco.
Acabou-se o tiroteio por falta de munição mas o cacête batia negro rolava no chão pau e pedra que achavam era o que as mãos pegavam sacudiam em Lampião.
- Chega traz um armamento! (assim gritava o vigia) traz a pá de mexer doce lasca os ganchos de caria traz um bilro de Macau corre, vai buscar um pau na cêrca da padaria!
Lucifer mais satanás vieram olhar do terraço todos contra Lampião de cacête, faca e braço o comandante no grito dizia: briga bonito negrada, chega-lhe o aço!
Lampião pôde apanhar uma caveira de boi sacudiu na testa dum ele só fez dizer: oi!... Ainda correu dez braças e caiu enchedo as calças mas eu não sei dizer o que foi.
Esatava travada a luta duma hora fazia a poeira cobria tudo negro embolava e gemia porém Lampião ferido ainda não tinha sido devido a grande energia.
Lampião pegou um seixo e rebolou-o num cão mos o que; arrebentou a vidraça do oitão saiu fogo azulado incendiou o mercado e o armazém de algodão.
Satanás com esse incêndio tocou no búzio chamando corretam todos os negros que se achavam brigando Lampião pegou a olhar não vendo com quem brigar também foi se retirando.
Houve grande prejuízo no inferno nesse dia queimou-se todo dinheiro que satanás possuia queimou-se o livro de pontos perdeu-se vinte mil contos somente em mercadoria.
Reclamava Lucifer: horror mais não precisa os anos ruins de safra agora mais esta pisa se não houver bom inverno tão cedo aqui no inferno ninguém compra uma camisa.
Leitores, vou terminar tratando de Lampião muito embora que não possa vou dar a explicação no inferno não ficou no céu também não entrou por certo está no sertão.
Quem dúvida desta história pensar que não foi assim querer zombar do meu sério não acreditando em mim vá comprar papel moderno escreva para o inferno mande saber de Caim.
"A Chegada de Lampião no inferno/José Pacheco
Escrito por Gianote Araujo às 15h47
[]
"Pra se fazer um comício Em tempo de eleição Não carece de arrodei Nem dinheiro muito não Basta um F-4000 Ou qualquer mei caminhão Entalado em beco estreito E um bandeirado má feito Cruzando em dez posição.
Um locutor tabacudo De converseiro comprido Uns alto-falante rouco Que espalhe o alarido Microfone com flanela Ou vermelha ou amarela Conforme a cor do partido.
Uma ganbiarra véa Banguela no acender Quatro faixa de bramante Escrito qualquer dizer Dois pistom e um taró Pode até ficar melhor Uma torcida pra torcer
Aí é subir pra riba Meia dúzia de corruto Quatro babão, cinco puta Uns oito capanga bruto E acunhar na promessa E a pisadinha é essa: Três promessa por minuto.
Anunciar a chegança Do corruto ganhador Pedir o "V" da vitória Dos dedo dos eleitor E mandar que os vira-lata Do bojo da passeata Traga o home no andor.
Protegendo o monossílabo De dedada e beliscão A cavalo na cacunda Chega o dono da eleição Faz boca de fechecler E nesse qué-ré-qué-qué Vez por outra um foguetão. ( . . . )
Trecho de Comicío em Beco Estreito/ Jessier Quirino
Escrito por Gianote Araujo às 22h09
[]
Tá vendo aquela cacimba lá na bêra do riacho, im riba da ribanceira, qui fica, assim, pru dibáxo de um pé de tamarinêra.
Pois, um magóte de môça quage toda manhanzinha, foima, assim, aquela tuia, na bêra da cacimbinha prá tumar banho de cuia.
Eu não sei pru quê razão, as águas dessa nacente, as águas que ali se vê, tem um gosto diferente das cacimbas de bêbê...
As águas da cacimbinha tem um gôsto mais mió. Nem sargada, nem insôça... Tem um gostim do suó do suvaco déssas môça...
Quando eu vejo essa cacimba, qui inspio a minha cara e a cara torno a inspiá, naquelas águas quiláras, Pego logo a desejá...
... Desejo, prá quê negá? Desejo ser um caçote, cum dois óio dêsse tamanho Prá ver aquele magóte de môça tumando banho!
" A Cacimba" Zé da Luz
Escrito por Gianote Araujo às 22h02
[]
|