( . . . )
-Com licença, Deputado,
Espere só mais um pouco.
Talvez eu seja até louco,
No que pretendo fazer.
Mas peço, com educação,
Dê-se sua permissão,
Pois quero lhe responder!
O Deputado assustou-se
Com a firmeza da voz.
E perguntou, já feroz,
A que devo essa ousadia?
Por acaso, eu lhe conheço?
Ofensa eu não esqueço...
Cuidado com a valentia!
E o Professor, muito calmo,
Disse, então, ao Deputado:
Eu sou o "desocupado",
Conforme fala o senhor.
Mas, aqui não me atrapalho,
Pois vivo do meu trabalho
Honesto, de Professor.
O senhor falou primeiro,
Seus colegas aplaudiram,
Sem pensar no que ouviram...
Se era justo, ou não.
Vou então lhe responder
E este povo vai ver
Quem tem, de fato, razão.
Respondendo ao seu discurso,
Eu começo lhe dizendo:
O povo inteiro está vendo
Quem só não vê é o senhor
Que, na luta pela vida,
Quem sofre mais, nessa lida,
É o pobre do Professor.
Teria o senhor coragem
De aqui, neste Plenário
Declarar o seu salário
Sem esconder um vintém?
Quem é que tem mais dinheiro?
O senhor é fazendeiro...
E o Professor nada tem!
E quantas horas por dia,
Quantos dias por semana
O senhor, que se ufana,
Trabalha mesmo, em verdade?
Se eu trabalhasse tanto,
Deputado, eu lhe garanto,
Vivia de caridade!
( . . . )
Trecho de Resposta do Professor Desocupado ao Deputado Valente / Compadre Lemos
Escrito por Gianote Araujo às 23h12