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Três muié ou três irmã, três cachôrra da mulesta, eu vi num dia de festa, no lugar Puxinanã. A mais véia, a mais ribusta era mermo uma tentação! mimosa flô do sertão que o povo chamava Ogusta. A segunda, a Guléimina, tinha uns ói qui ô! mardição! Matava quarqué critão os oiá déssa minina. Os ói dela paricia duas istrêla tremendo, se apagando e se acendendo em noite de ventania. A tercêra, era Maroca. Cum um cóipo muito má feito. Mas porém, tinha nos peito dois cuscús de mandioca. Dois cuscús, qui, prú capricho, quando ela passou pru eu, minhas venta se acendeu cum o chêro vindo dos bicho. Eu inté, me atrapaiava, sem sabê das três irmã qui ei vi im Puxinanã, qual era a qui mi agradava. Inscuiendo a minha cruz prá sair desse imbaraço, desejei, morrê nos braços, da dona dos dois cuscús! As flô de Puxinanã/Zé da Luz
Escrito por Gianote Araujo às 13h45
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A mitologia grega é rica de ensinamento para toda nossa vida pois nos dá conhecimento da natureza humana, mostrando como se engana nosso pobre pensamento.
Uma lenda dessas diz que Dédalo trabalhava para Minos, um rei grego e a ele agradava com as suas invenções, pois suas fabricações o rei muito apreciava.
Mas a glória durou pouco sumiu a sua alegria. Dédalo desagradou ao rei o por isso ia para sempre ser levado e ficar aprisionado numa torre muito fria.
Nesse lugar de prisão numa ilha situado Dédalo ficou cativo do seu filho acompanhado. Tanto o pai como o menino cumpriam o seu destino pela vida já traçado.
Porém Dédalo pensava num modo de escapar. Queria fugir dali pra ninguém mais o pegar. Levaria o seu filho vencendo todo empecilho para assim se libertar.
Depois de muito pensar, encontrou uma saída e disse para si mesmo numa voz bem comovida: "Vigiam terra e mar, é por tanto pelo ar que salvarei nossa vida."
Porque Minos, o rei grego, mandava que a vigilância fosse dura e rigorosa sempre em toda circunstância pela terra e pelo mar sem deixar de revistar tudo com toda constância
Por isso Dédalo pai por ser bom visionário enxergou a solução no seu grande imaginário, pensando em fabricar boas asas e voar de modo extraordinário.
O inteligente homem ansioso por fazer dois pares de asas boas, começou a percorrer o espaço que podia e as penas que ele via tratava de recolher.
Depois de ter recolhido boas e diversas penas, ele amarra com uns fios, usando os dedos apenas juntando bem as maiores para depois as menores com cera colar centenas.
Enquanto o pai trabalhava com a mente e com os dedos o filho se divertia as penas sendo brinquedos quando o vento as levava, ele corria e pegava eram esses seus folguedos.
Dédalo faz que as asas tenham boa curvatura, cuidando para que elas se encaixem na estrutura, quer fazer de modo tal que chegando ao final a obra tique segura.
Quando aprontou as asas quis fazer um experimento segurou nelas com jeito e fazendo movimento seu corpo ficou suspenso, sentiu um prazer imenso por causa de seu invento.
As asas funcionaram de modo sensacional Assim eles fugiriam numa forma sem igual. Pai e filho como aves quebrando todas as traves da nossa lei natural.
Pois o homem não é ave, o seu lugar é o chão, homem ter um par de asas é um caso de aberração, ou fruto da inteligência de trabalho e paciência de grandiosa invenção.
Pondo no filho as asas, Dédalo muito feliz ajeitando seu pequeno, com forte voz ele diz: Ícaro, filho querido vou deixá-lo esclarecido pois tu és um aprendiz.
Não vá voar muito baixo aproximado do mar, os vapores dessas águas podem te atrapalhar. Também não subas demais, a cena não é capaz do calor agüentar.
É preciso o equilíbrio e voar numa altura que não comporte perigo e que seja mais segura. Por isso fica ao meu lado pois eu tenho mais cuidado e melhor desenvoltura.
Dito isso, os dois partiram cruzando o imenso céu, da prisão dura saindo deixando a ilha cruel. Voavam com liberdade, sentindo a felicidade mais doce que o doce mel.
Os camponeses na roça viram os dois seres voantes, pensaram que eram deuses voando por une instantes. Ficaram admirados todos eles encantados com os dois seres distantes.
Ícaro, entusiasmado, com o vôo se embelezou quis atingir mais altura e por isso ele deixou do seu pai a companhia. O sol alto o seduzia alcançá-lo ele buscou.
O forte calor do sol foi, porém seu inimigo, as asas se desfaziam era fatal o perigo pois s cera derreteu-se toda pena desprendeu-se esse foi o seu castigo.
O menina agita os braços procurando flutuar como se ainda tivesse as asas para voar. Gritando aflito pro pai porém sem jeito ele cai nas profundezas do mar.
E Dédalo não conseguiu do seu filho o salvamento. Viu quando ele caía mas o distanciamento não permitiu sua ação que trouxesse a salvação para o filho no momento.
Viu o filho despencar-se em busca do mar profundo, tristeza maior que essa não existe nesse mundo! O sue Ícaro morreu quando nas águas bateu numa fração de segundo.
O pai muito amargurado Das águas tira o menor, Levou-o pra muito longe Para dar-lhe a melhor E bonita sepultura, Que acolhesse com ternura O seu tesouro maior.
Então Dédalo enterrou o filho muito querido. De ter feito aquelas asas já estava arrependido Alcançou a liberdade mas lhe ficou a saudade do menino assim perdido.
Em memória do seu filho toda aquela região ele chamou de Icária pra sua recordação. Chegou em paz na Sicília deixando pra sempre a ilha lugar da triste prisão.
Essa lenda tão fantástica nos mostra com eficiência a importância do invento, do saber e da ciência, mas nos dá uma lição pra termos moderação no uso da inteligência.
Ela também nos ensina o amor pela virtude, a busca do equilíbrio seja em nós uma atitude. O sucesso e a grandeza, o prazer e a riqueza, tudo isso nos ilude.
Dédalo foi muito sábio, pois conhecia o segredo das coisas da natureza, no entanto tinha medo e por isso advertiu mas o filho não ouviu morrendo, por isso, cedo.
Portanto toda ciência quando é mal direcionada passando dos seus limites de uma forma exagerada deixa de ser benfazeja por importante que seja torna amaldiçoada.
A morte de ícaro / Maércio Lopes Siqueira
Escrito por Gianote Araujo às 10h53
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...E eu que fui enjeitada Só porque era furada. Me botaram um pau na boca, Sabão grudaram no furo, Me obrigaram a levar água Muitas vezes pendurada, Muitas vezes num jumento.
Era aquele sofrimento, As juntas enferrujadas. Fiquei com o fundo comido. Quando pensei que tivesse Minha batalha cumprido, Um remendo me fizeram: Tome madeira no fundo E tome água e leva água, E tome água e leva água.
Daí nasceu minha mágua: O pau da boca caía, Os beiços não resistiam. Me fizeram um troca-troca: Lá vem o fundo pra boca, Lá vai o pau para o fundo. Que trocado mais sem graça Na frente de todo mundo. E tome água e leva água E tome água e leva água.
Já quase toda enfadada, Provei lavagem de porco, Ai mexeram de novo: Botaram o pau na beirada. E assim desconchavada, Medi areia e cimento, Carreguei muito concreto Molhado duro e friento, Sofri de peitos aberto, Levei baque dei peitada.
Me amassaram as beiradas, Cortaram minhas entranhas. Lá fui eu assar castanha, Fui por fim escancarada. Servi de cocho de porco Servi também de latada.
Se a coisa não complica, Talvez eu seja uma bica Pela próxima invernada. E inverno é chuva, é água, E eu encherei outras latas Cumprindo minha jornada.
Agruras da Lata D'água / Jessier Quirino
Escrito por Gianote Araujo às 00h28
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( . . . )
-Com licença, Deputado,
Espere só mais um pouco.
Talvez eu seja até louco,
No que pretendo fazer.
Mas peço, com educação,
Dê-se sua permissão,
Pois quero lhe responder!
O Deputado assustou-se
Com a firmeza da voz.
E perguntou, já feroz,
A que devo essa ousadia?
Por acaso, eu lhe conheço?
Ofensa eu não esqueço...
Cuidado com a valentia!
E o Professor, muito calmo,
Disse, então, ao Deputado:
Eu sou o "desocupado",
Conforme fala o senhor.
Mas, aqui não me atrapalho,
Pois vivo do meu trabalho
Honesto, de Professor.
O senhor falou primeiro,
Seus colegas aplaudiram,
Sem pensar no que ouviram...
Se era justo, ou não.
Vou então lhe responder
E este povo vai ver
Quem tem, de fato, razão.
Respondendo ao seu discurso,
Eu começo lhe dizendo:
O povo inteiro está vendo
Quem só não vê é o senhor
Que, na luta pela vida,
Quem sofre mais, nessa lida,
É o pobre do Professor.
Teria o senhor coragem
De aqui, neste Plenário
Declarar o seu salário
Sem esconder um vintém?
Quem é que tem mais dinheiro?
O senhor é fazendeiro...
E o Professor nada tem!
E quantas horas por dia,
Quantos dias por semana
O senhor, que se ufana,
Trabalha mesmo, em verdade?
Se eu trabalhasse tanto,
Deputado, eu lhe garanto,
Vivia de caridade!
( . . . )
Trecho de Resposta do Professor Desocupado ao Deputado Valente / Compadre Lemos
Escrito por Gianote Araujo às 23h12
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Cristos da terra, nascidos Na Manjedoura do NÃO: Não têm terra nem saúde, Justiça nem instrução. Só conhecem 3 reis magos -que sempre lhes causam estragos-: Polícia, Imposto e Patrão.
São filhos de Zé Ninguém E de Maria Qualquer... Naturais de algum “Belém” Que não se sabe onde é E onde, entre espinhos e grotas, “o Judas perdeu as botas” jogando mais Lúcifer...
Frutos do chão duro e seco Como um rio que já foi... Vidas de pedras agudas... Terras de “Deus me perdoe”!... Essa terra, aquela vida Têm a tristeza doída De uma caveira de boi...
Irriga as maçãs do rosto Com o chuvisco da Esperança: Luta e sofre! Sofre e espera Na Fome que a dor amansa... Num prato – pesa a Pobreza; No outro – o peso é da Tristeza Que sua vida balança...
Pega um fiapo de Sonho E tece a própria mortalha. Toca o carro...mas, encalha Nas Pedras da Solidão... Seu canto traz a Amargura Dos lamentos de um Aboio... Da cicatriz de um arroio Na Face da Sequidão!
Planta um Pé de Sacrifício -nasce uma Flor de Saúva! Estende a Mão para a Chuva -e alcança o Olho do Sol... Só lhe dão, como presente: Pobreza...falta de escola... Leva mais chute que bola Em campo de futebol...
Mora num rancho de palha, Dorme num jirau de vara. E – em cima de um pau-de-arara, Deixa, um dia, o “seu” Sertão... Seu, uma vírgula, que, dele, Não possui nem mesmo os Braços Que são, apenas, pedaços Das posses de algum Patrão...
O Patrão manda no velho, Manda na velha, na filha. E na quadra. E na quadrilha... Na quadrinha...no quadrão... Entorce, o Cristo da Enxada, Cansado do mandonismo, Muda o nome de batismo Pra Silvino ou Lampião...
Cristo da terra, pregado Na cruz de um cabo de Enxada, Sua alma está calejada Pelos séculos de Dor... Traz dois olhos bem abertos -mas anda cego de tudo: cego, cabisbaixo e mudo pelas terras do Senhor!
Belo dia, um desses cristos Humilhados, oprimidos, Forma no rol dos Bandidos Contra a Opressão Social... E – é Jesuíno Brilhante, Corisco, Antônio Silvino Ou o “Capitão Virgulino” -“justiça” escrita a Punhal!
É – Liberato, Jurema, Moita Braba, Pitombeira, Zé Sereno, Mão Foveira Ou “Quelé do Pajeú”... É – Labareda – vingando A honra da irmã sertaneja Que ficou nos “Ora, veja” De um “cabo” de instinto cru...
Vai acender as fogueiras Da rebeldia matuta -contra a força absoluta dos senhores “Coronéis”. É- mais um, que troca a Enxada Pela “lei” de um pau-de-fogo, Onde a Morte ganha o jogo Cheio de lances cruéis! (...) Trecho de Canto dos Cristos da Terra/ Paulo Nunes Batista
Escrito por Gianote Araujo às 20h43
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No tempo em que as estradas eram poucas no sertão; Tangerinos e boiadas cruzavam a região; entre volante e cangaço; Quando a lei era do braço; do jagunço pau mandando do coronel invasor; Dava-se no interior esse caso inusitado; Quando o Palmera das Antas pertencia ao capitão; Justino Bento da Cruz; Nunca faltou diversão; vaquejada, canturia, procissão e romaria,sexta-feira da Paixão; Na quinta-feira maior, Dona Maria das Dores no salão paroquial; Reunia os moradores, depois de uma pré-eleção ao lado do capitão; Escalava a seleção, de atriz e atores; Todo ano era um Jesus, um Caífaz e um Pilatos; Só nao mudavam a cruz, o verdúguio e os mal-tratos; O Cristo daquele ano foi o Quincas Beija-Flor; Caífaz foi Cipriano; Pilatos foi Nicanor; Duas cordas paralelas, separava a multidão; Pra que pudessem entre elas, caminhar a procissão; Quincas conduzindo a cruz; Foi e num foi advertia, um cinturião pervesso, que com força le batia; Era pra bater maneiro, Bastião não entendia; Devido um grande pifão, que tomou naquele dia; do vinho que o capelão, guardava na sacristia; Cristo dizia: "ô rapaz, ve se bate devagar, já to todo encalombado assim não vou aguentar, ta com a gota pra duer, ou tu para de bater ou a gente vai brigar; jogo ja essa cruz fora, to ficando aperriado, vou morrer antes da hora de ficar crucificado"; O pior é q o malvado, fingia que não ouvia; e além de bater com força, ainda se divertia; espiava pra jesus, fazia pouco e dizia: "que Cristo froxo é você, que chora na procissão? Jesus pelo que se sabe, num era mole assim não; eu to batendo com pena, tu vai ver o que é bom; na subida da ladeira, da venda de fenelon; o couro vai ser dobrado! até chegar no mercado, da cuíca muda o tom" Naquele momento ouviu-se, um grito na multidao; era Quincas que com raiva, sacudiu a cruz no chão; e partiu feito um maluco pra cima de Bastião; Se travaram num tabefe, pontapé e cabeçada; Madalena levou queda; Pilatos levou pancada; Deram um cacete em Caífaz, que até hoje não faz; nem sente gosto de nada; Dismancharam a procissão o cacete foi pesado; São Tomé levou um tranco que ficou desacordado; Acertaram um cocorote, na careca de Timotéo; que inté hoje é aluado; Inté mesmo São José, que não é de confusão; na ansia de defender, o seu filho de criação; aproveitou a garapa, pra dar um monte de tapa; na cara do bom ladrão; A briga só terminou, quando o doutor delegado; interviu e separou, cada santo pro seu lado; Desde que o mundo se fez; foi essa a primeira vez; que Jesus foi pro xadrez... MAS NUM FOI CRUXIFICADO!!
Jesus no Xadrez / Chico Pedrosa
Escrito por Gianote Araujo às 13h50
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Semore adotei a doutrina Ditada pelo rifão, De ver-se a cara do homem Mas não ver-se o coração, Entre a palavra e a obra Há enorme distinção.
Zé-pitada era um rapaz Que em tempos idos havia Amava muito uma moça O pai dela não queria... O desastre é um diabo Que persegue a simpatia.
Vivia o rapaz sofrendo Grande contrariedade Chorava ao romper da aurora Gemia ao virar da tarde A moça era como um pássaro Privado da liberdade.
Porque João-mole, o pai dela era um velho perigoso, Embora que Zé-pitada Dizia ser revoltoso, Adiante o leitor verá Qual era o mais valoroso.
Marocas vivia triste Pitada vivia em ânsia, Ele como rapaz moço No vigo de sua infância, Falar depende de fôlego Porém obrar é sustância.
Disse pitada a Marocas, Eu preciso lhe falar Já tenho toda certeza, Que é necessário a raptar, À noite espere por mim Que havemos de contratar.
Disse Marocas a Zezinho: Papai não é de brincadeira, Diz Zé-pitada, ora esta! Você pode ver-me as tripas, Poré não verá carreira.
Diga a que hora hei de ir, Eu dou conta do recado Inda seu pai sendo fogo, Por mim será apagado, Eu juro contra minh’alma Que seu pai corre assombrado.
Disse Marocas, meu pai Tem tanta disposição Que uma vez tomou um preso Do poder de um batalhão, Balas choviam nos ares, O sangue ensopava o chão.
Disse ele, eu uma vez Fui de encontro a mil guerreiros, Entrei pela retaguarda, Matei logo os artilheiros, Em menos de dez minutos O sangue encheu os barreiros.
Disse Marocas, pois bem Eu espero e pode ir, Porém encare a desgraça, Se acaso meu pai nos vir, Meu pai é de ferro e fogo, É duro de resistir.
Marocas não confiando Querendo experimentar, Olhou para Zé-pitada Fingindo querer chorar, Disse meu pai acordou, E nos ouviu conversar.
Valha-me Nossa Senhora! Respondeu ele gemendo, Que diabo eu faço agora?!... E caiu no chão tremendo, Oh! Minha Nossa Senhora! A vós eu me recomendo
Nisso um gato derrubou Uma lata na dispensa, Ele pensou que era o velho, Gritou, oh!, que dor imensa!. Parece qu’stou ouvindo Jesus lavrar-me a sentença.
A febre já me atacou, Sinto frio horrivelmente. Com muita dor de cabeça, Uma enorme dor de dente, Esta me dando a erisipela, Já sinto o corpo dormente.
Antes eu hoje estivesse Encerrado na cadeia, De que morrer na desgraça, E d’uma morte tão feia, Veja se pode arrastar-me, Que minha calça está cheia.
Por alma de sua mãe, E pela sagrada paixão, Me arraste por uma perna E me bote no portão, A moça quis arrastá-lo, Não teve onde pôr a mão.
Ela tirou-lhe a botina, Para ver se o arrastava, Mas era uma fedentina, Que a moça não suportava, Aquela matéria fina Já todo o chão alagava.
Disse a moça: quer um beijo? Para ver se tem melhora? Ele com cara de choro, Respondeu-lhe, não, senhora, Beijo não me salva a vida, Eu só desejo ir-me embora.
Então lhe disse Marocas, Desgraçado!... eu bem sabia, Que um ente de teu calibre, Não pode ter serventia. Creio que fostes nascido Em fundo de padaria.
Meu pai ainda não veio Eu hoje estou sozinha, Zé-pitada aí se ergueu, E disse, oh minha santinha! A moça meteu-lhe o pé, Dizendo: vai-te murrinha!
E deu-lhe ali uma lata, Dizendo: está aí o poço, Você ou lava o quintal Ou come um cachorro ensolso, Se não eu meto-lhe os pés Não lhe deixo inteiro um osso. ( . . . )
Trecho de As Proezas de Um Nmorado Mofino / Leandro Gomes de Barros
Escrito por Gianote Araujo às 22h52
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Caro leitor se não lestes
mas alguém já vos contou
que nos remotos passados
até barata falou
porém isto foi no tempo
quando o trancoso reinou
Eu ainda estou lembrado
que meus bisavós contavam
muitas histórias passadas
de quando os bichos falavam
como bem fosse a da festa
quando os cachorros casavam
Nesse tempo os animais
era tudo interesseiro
só se casavam com bichas
que os pais tinham dinheiro
tanto que devido a isto
um gato morreu solteiro
Contudo sempre viviam
em regimes sociais
respeitando aos governos
nos atos policiais
crendo no catolicismo
conforme a lei de seus pais
Não eram lá tão chegados
a nossa religião
mas não desvalorizavam
nem faziam mangação
dizem até que macaco
deu provas de bom cristão
Tamanduá era padre
como todos sabem disto
naquele tempo também
pelos antigos foi visto
uma lavadeira velha
lavando a roupa de Cristo
Muitos viviam da arte
outra parte do roçado
na vida comercial
quem era rico e letrado
aqueles mais pobrezinhos
viviam do alugado
Como bem a lagartixa
o calango e o tejá
que são pelados de tudo
da mesma forma o tatu
que tem somente o casco
e aquilo faz pufá
( . . . )
Trecho de A Festa Dos Cachorros / José Pacheco
Escrito por Gianote Araujo às 11h45
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Na cidade de Macaé Antigamente existia Um duque velho invejoso Que nada o satisfazia Desejava possuir Todo objeto que via
Esse duque era compadre De um pobre muito atrasado Que morava em sua terra Num rancho todo estragado Sustentava seus filhinhos Na vida de alugado.
Se vendo o compadre pobre Naquela vida privada Foi trabalhar nos engenhos Longe da sua morada Na volta trouxe um cavalo Que não servia pra nada
Disse o pobre à mulher: — Como havemos de passar? O cavalo é magro e velho Não pode mais trabalhar Vamos inventar um "quengo" Pra ver se o querem comprar.
Foi na venda e de lá trouxe Três moedas de cruzado Sem dizer nada a ninguém Para não ser censurado No fiofó do cavalo Foi o dinheiro guardado
Do fiofó do cavalo Ele fez um mealheiro Saiu dizendo: — Sou rico! Inda mais que um fazendeiro, Porque possuo o cavalo Que só defeca dinheiro.
Quando o duque velho soube Que ele tinha esse cavalo Disse pra velha duquesa: —Amanhã vou visitá-lo Se o animal for assim Faço o jeito de comprá-lo!
Saiu o duque vexado Fazendo que não sabia, Saiu percorrendo as terras Como quem não conhecia Foi visitar a choupana, Onde o pobre residia.
Chegou salvando o compadre Muito desinteressado: — Compadre, Como lhe vai? Onde tanto tem andado? Há dias que lhe vejo Parece está melhorado...
—É muito certo compadre Ainda não melhorei Porque andava por fora Faz três dias que cheguei Mas breve farei fortuna Com um cavalo que comprei.
—Se for assim, meu compadre Você está muito bem! É bom guardar o segredo, Não conte nada a ninguém. Me conte qual a vantagem Que este seu cavalo tem?
Disse o pobre: —Ele está magro Só o osso e o couro, Porém tratando-se dele Meu cavalo é um tesouro Basta dizer que defeca Níquel, prata, cobre e ouro!
Aí chamou o compadre E saiu muito vexado, Para o lugar onde tinha O cavalo defecado O duque ainda encontrou Três moedas de cruzado.
Então exclamou o velho: — Só pude achar essas três! Disse o pobre: — Ontem à tarde Ele botou dezesseis! Ele já tem defecado, Dez mil réis mais de uma vez.
—Enquanto ele está magro Me serve de mealheiro. Eu tenho tratado dele Com bagaço do terreiro, Porém depois dele gordo Não quem vença o dinheiro...
Disse o velho: — meu compadre Você não pode tratá-lo, Se for trabalhar com ele É com certeza matá-lo O melhor que você faz É vender-me este cavalo!
— Meu compadre, este cavalo Eu posso negociar, Só se for por uma soma Que dê para eu passar Com toda minha família, E não precise trabalhar.
O velho disse ao compadre: — Assim não é que se faz Nossa amizade é antiga Desde os tempo de seus pais Dou-lhe seis contos de réis Acha pouco, inda quer mais?
— Compadre, o cavalo é seu! Eu nada mais lhe direi, Ele, por este dinheiro Que agora me sujeitei Para mim não foi vendido, Faça de conta que te dei!
O velho pela ambição Que era descomunal, Deu-lhe seis contos de réis Todo em moeda legal Depois pegou no cabresto E foi puxando o animal.
Quando ele chegou em casa Foi gritando no terreiro: — Eu sou o homem mais rico Que habita o mundo inteiro! Porque possuo um cavalo Que só defeca dinheiro!
Pegou o dito cavalo Botou na estrebaria, Milho, farelo e alface Era o que ele comia O velho duque ia lá, Dez, doze vezes por dia...
Aí o velho zangou-se Começou loga a falar: —Como é que meu compadre Se atreve a me enganar? Eu quero ver amanhã O que ele vai me contar.
Porém o compadre pobre, (Bicho do quengo lixado) Fez depressa outro plano Inda mais bem arranjado Esperando o velho duque Quando viesse zangado...
O pobre foi na farmácia Comprou uma borrachinha Depois mandou encher ela Com sangue de uma galinha E sempre olhando a estrada Pré ver se o velho vinha.
Disse o pobre à mulher: — Faça o trabalho direito Pegue esta borrachinha Amarre em cima do peito Para o velho não saber, Como o trabalho foi feito!
Quando o velho aparecer Na volta daquela estrada, Você começa a falar Eu grito: —Oh mulher danada! Quando ele estiver bem perto, Eu lhe dou uma facada.
Porém eu dou-lhe a facada Em cima da borrachinha E você fica lavada Com o sangue da galinha Eu grito: —Arre danada! Nunca mais comes farinha!
Quando ele ver você morta Parte para me prender, Então eu digo para ele: —Eu dou jeito ela viver, O remédio tenho aqui, Faço para o senhor ver!
—Eu vou buscar a rabeca Começo logo a tocar Você então se remaxa Como quem vai melhorar Com pouco diz: —Estou boa Já posso me levantar.
Quando findou-se a conversa Na mesma ocasião O velho ia chegando Aí travou-se a questão O pobre passou-lhe a faca, Botou a mulher no chão.
O velho gritou a ele Quando viu a mulher morta: Esteja preso, bandido! E tomou conta da porta Disse o pobre: —Vou curá-la! Pra que o senhor se importa?
—O senhor é um bandido Infame de cara dura Todo mundo apreciava Esta infeliz criatura Depois dela assassinada, O senhor diz que tem cura?
Compadre, não admito O senhor dizer mais nada, Não é crime se matar Sendo a mulher malcriada E mesmo com dez minutos, Eu dou a mulher curada!
Correu foi ver a rabeca Começou logo a tocar De repente o velho viu A mulher se endireitar E depois disse: —Estou boa, Já posso me levantar...
O velho ficou suspenso De ver a mulher curada, Porém como estava vendo Ela muito ensanguentada Correu ela, mas não viu, Nem o sinal da facada.
O pobre entusiasmado Disse-lhe: —Já conheceu Quando esta rabeca estava Na mão de quem me vendeu, Tinha feito muitas curas De gente que já morreu!
No lugar onde eu estiver Não deixo ninguém morrer, Como eu adquiri ela Muita gente quer saber Mas ela me está tão cara Que não me convém dizer.
O velho que tinha vindo Somente propor questão, Por que o cavalo velho Nunca botou um tostão Quando viu a tal rabeca Quase morre de ambição.
—Compadre, você desculpe De eu ter tratado assim Porque agora estou certo Eu mesmo fui o ruim Porém a sua rabeca Só serve bem para mim.
—Mas como eu sou um homem De muito grande poder O senhor é um homem pobre Ninguém quer o conhecer Perca o amor da rabeca... Responda se quer vender?
—Porque a minha mulher Também é muito estouvada Se eu comprar esta rabeca Dela não suporto nada Se quiser teimar comigo, Eu dou-lhe uma facada.
—Ela se vê quase morta Já conhece o castigo, Mas eu com esta rabeca Salvo ela do perigo Ela daí por diante, Não quer mais teimar comigo!
Disse-lhe o compadre pobre: —O senhor faz muito bem, Quer me comprar a rabeca Não venderei a ninguém Custa seis contos de réis, Por menos nem um vintém.
O velho muito contente Tornou então repetir: —A rabeca já é minha Eu preciso a possuir Ela para mim foi dada, Você não soube pedir.
Pagou a rabeca e disse: —Vou já mostrar a mulher! A velha zangou-se e disse: —Vá mostrar a quem quiser! Eu não quero ser culpada Do prejuízo que houver.
(...)
Trecho de O Cavalo que Defecava Dinheiro/ Leandro Gomes de Barros
Escrito por Gianote Araujo às 15h24
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Seus Dotôres Deputado falo sem tutubiá pra mostrá que nós matuto sabe se pronunciá dizê que ta um presídio com dó e matuticídio a vida nesse lugá
O Brasí surgiu de nós nós tudo que vem da massa deram um nó no mêi de nós que nós desse nó não passa e de quatro em quatro ano vem vocês com o veio plano desata o nó e se abraça
Tamo chêi dessa bostice de promessa e eleição dos que vem de vez em quanto se rindo, estendeno a mão candidato a caloteiro aprendiz de trapaceiro corruto, falso e ladrão.
A coisa ta enveigada ta ruim de devenveigá meu sistema neuvosíssimo vejo a hora se estorá se estóra eu não engano cuma diz o americano na matança eu tem norrá.
Quero que vocês refrita o falá da minha fala pelo cano do revóve magine o tamãe da bala.
Vocês que véve arrimado nas bengala do podê dou um chuto na bengala mode alejado corrê dou dedo, faço munganga canto Ouvira do Ypiranga e mando tudo se fudê.
Acunho logo a tramela nas porta da corrução toco fogo na lixeira e passo de mão em mão corto língua de quem mente quebro três ou quatro dente dos Deputado risão.
Político que come uva em plena safra de manga vai pra lei dos desperdiço nas faca dos meus capanga.
Se eu der um tiro no mato e bater num marinheiro é porque tem mais honesto do que cabra trambiqueiro diante dessa nutiça não haverá injustiça é a lei dos cangaceiro.
Os deputado bom de pêia eu tiro o "W" do nome tiro vírgula dos discurso reticença e pisilone sapeco lei pra matuto meto bala nesses puto e um viva no microfone.
Matuto que tem saúde pro trabaio ele é capaz nós se vira, arruma água as sementes e o preço em paz não vai sê protecionismo é a lei do Nordestinismo dos Problemas Matutais.
Debuiado este discurso pros Dotôre e Deputado ta dizido minha meta pra cem bilhão de roçado depois não venham dizê que foi golpe de pudê proque não foram avisado
Partido dos Cangaceiro o PC dos natura pela lei da ignorança do Congresso Federá assinado Capitão Virgulino Lampião Deputado Federá.
Virgulino deputado federá / Jessier Quirino
Escrito por Gianote Araujo às 13h31
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Um cabra de Lampião por nome Pilão Deitado que morreu numa trincheira um certo tempo passado agora pelo sertão anda correndo visão fazendo malassombrado.
E foi quem trouxe a notício que viu Lampião chegar o inferno nesse dia faltou pouco pra virar incendiou-se o mercado morreu tanto cão queimado que faz pena até contar
Morreram a mãe Conguinha o pai Forrobodó cem netos de Parafuso um cão chamado Cotó escapuliu Boca Ensoça e uma moleca moça quase queimava o totó
Morreram cem negros velhos que não trabalhavam mais um cão chamado Traz Cá Vira-Volta e Capataz Tromba Suja e Bigodeira um cão chamado Goteira cunhado de satanás.
Vamos tratar na chegada quando Lampião bateu um moleque ainda moço no portão apareceu:
Quem é você, cavalheiro?
Moleque, eu sou cangaceiro: Lampião lhe respondeu. - Moleque, não; sou vigia e não sou seu parceiro e você aqui não entra sem dizer quem é o primeiro: - Moleque, abra o portão saiba que sou Lampião assombro do mundo inteiro.
Então esse tal vigia que trabalha no portão dá pisa que voa cinza não procura distinção o negro, escreveu não leu o macaiba comeu ali não se usa perdão.
O vigia disse assim: fique fora que eu entro vou conversar com o chefe no gabinete do centro por certo ele não lhe quer mas conforme o que disser eu levo o senhor pra dentro.
Lampião disse: vá logo quem conversa perde hora vá depressa e volte já eu quero pouca demora se não me derem ingresso eu viro tudo asavesso toco fogo e vou embora.
O vigia foi e disse e satanás no salão: saiba a vossa senhoria que aí chegou Lampião dizendo que quer entrar e eu vim lhe perguntar se dou-lhe ingresso ou não.
- Não senhor, satanás disse vá dizer que vá embora só me chega gente ruim eu ando muito caipora! eu já estou com vontade de botar mais da metade dos que tem aqui pra fora.
- Lampião é um bandido ladrão da honestidade só vem desmoralizar a nossa propriedade e eu não vou procurar sarna pra me coçar sem haver necessidade.
Disse o vigia: patrão a coisa vai arruinar eu sei que ele se dana qunado não puder entrar satanás disse: isso é nada convide aí a negrada e leve os que precisar
- Leve cem dúzias de negros entre homem e mulher vá lá na loja de ferragem tire as armas que quiser é bom avisar também pra vir os negros que tem mais compadre de Lucifer
E reuniu-se a negrada primeiro chegou Fuchico com o bacamarte velho gritando por Cão de Bico que trouxesse o Pau de Prensa e fosse chamar Tangença em casa de Maçarico.
E depois chegou Cambota endireitando o boné Formigueiro e Trupe-Zupe e o crioulo Quelé chegou Caé e Pacáia Rabisca e Cordão de Saia e foram chamar Bazé.
Veio uma diaba moça com a calçola de meia puxou a vara da cerca dizendo: a coisa está feia hoje o negócio se dana! E gritou: êta baiana agora a ripa vadeia!
E saiu a tropa armada em direção do terreiro com faca, pistola e facão cravinote e granadeiro uma negra também vinha com a trempe da cozinha e o pau de bater tempero.
Quando Lampião deu fé da tropa negra encostada disse: só na Abissínia oh! tropa preta danada! o chefe do batalhão gritou de arma na mão; - Toca-lhe fogo, negrada!
Nessa voz ouviu-se tiros que só pipoca no caco Lampião pulava tanto que parecia um macaco tinha um negro neste meio que durante o tiroteio brigou tomando tabaco.
Acabou-se o tiroteio por falta de munição mas o cacête batia negro rolava no chão pau e pedra que achavam era o que as mãos pegavam sacudiam em Lampião.
- Chega traz um armamento! (assim gritava o vigia) traz a pá de mexer doce lasca os ganchos de caria traz um bilro de Macau corre, vai buscar um pau na cêrca da padaria!
Lucifer mais satanás vieram olhar do terraço todos contra Lampião de cacête, faca e braço o comandante no grito dizia: briga bonito negrada, chega-lhe o aço!
Lampião pôde apanhar uma caveira de boi sacudiu na testa dum ele só fez dizer: oi!... Ainda correu dez braças e caiu enchedo as calças mas eu não sei dizer o que foi.
Esatava travada a luta duma hora fazia a poeira cobria tudo negro embolava e gemia porém Lampião ferido ainda não tinha sido devido a grande energia.
Lampião pegou um seixo e rebolou-o num cão mos o que; arrebentou a vidraça do oitão saiu fogo azulado incendiou o mercado e o armazém de algodão.
Satanás com esse incêndio tocou no búzio chamando corretam todos os negros que se achavam brigando Lampião pegou a olhar não vendo com quem brigar também foi se retirando.
Houve grande prejuízo no inferno nesse dia queimou-se todo dinheiro que satanás possuia queimou-se o livro de pontos perdeu-se vinte mil contos somente em mercadoria.
Reclamava Lucifer: horror mais não precisa os anos ruins de safra agora mais esta pisa se não houver bom inverno tão cedo aqui no inferno ninguém compra uma camisa.
Leitores, vou terminar tratando de Lampião muito embora que não possa vou dar a explicação no inferno não ficou no céu também não entrou por certo está no sertão.
Quem dúvida desta história pensar que não foi assim querer zombar do meu sério não acreditando em mim vá comprar papel moderno escreva para o inferno mande saber de Caim.
"A Chegada de Lampião no inferno/José Pacheco
Escrito por Gianote Araujo às 15h47
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"Pra se fazer um comício Em tempo de eleição Não carece de arrodei Nem dinheiro muito não Basta um F-4000 Ou qualquer mei caminhão Entalado em beco estreito E um bandeirado má feito Cruzando em dez posição.
Um locutor tabacudo De converseiro comprido Uns alto-falante rouco Que espalhe o alarido Microfone com flanela Ou vermelha ou amarela Conforme a cor do partido.
Uma ganbiarra véa Banguela no acender Quatro faixa de bramante Escrito qualquer dizer Dois pistom e um taró Pode até ficar melhor Uma torcida pra torcer
Aí é subir pra riba Meia dúzia de corruto Quatro babão, cinco puta Uns oito capanga bruto E acunhar na promessa E a pisadinha é essa: Três promessa por minuto.
Anunciar a chegança Do corruto ganhador Pedir o "V" da vitória Dos dedo dos eleitor E mandar que os vira-lata Do bojo da passeata Traga o home no andor.
Protegendo o monossílabo De dedada e beliscão A cavalo na cacunda Chega o dono da eleição Faz boca de fechecler E nesse qué-ré-qué-qué Vez por outra um foguetão. ( . . . )
Trecho de Comicío em Beco Estreito/ Jessier Quirino
Escrito por Gianote Araujo às 22h09
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Tá vendo aquela cacimba lá na bêra do riacho, im riba da ribanceira, qui fica, assim, pru dibáxo de um pé de tamarinêra.
Pois, um magóte de môça quage toda manhanzinha, foima, assim, aquela tuia, na bêra da cacimbinha prá tumar banho de cuia.
Eu não sei pru quê razão, as águas dessa nacente, as águas que ali se vê, tem um gosto diferente das cacimbas de bêbê...
As águas da cacimbinha tem um gôsto mais mió. Nem sargada, nem insôça... Tem um gostim do suó do suvaco déssas môça...
Quando eu vejo essa cacimba, qui inspio a minha cara e a cara torno a inspiá, naquelas águas quiláras, Pego logo a desejá...
... Desejo, prá quê negá? Desejo ser um caçote, cum dois óio dêsse tamanho Prá ver aquele magóte de môça tumando banho!
" A Cacimba" Zé da Luz
Escrito por Gianote Araujo às 22h02
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